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Fé e ciência. O que Buda e Cristo têm em comum?

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Qual a verdadeira fé? Qual religião ou filosofia representa Deus? Quem está certo ou errado quanto às narrativas das diversas crenças professadas na humanidade? Nenhuma dessas três perguntas é respondida em O budista e o cristão; um diálogo pertinente. E é justamente pelo fato dessas indagações não virem à baila que faz deste livro uma página muito especial no que se refere ao respeito às diferenças. Conversa elucidativa. Seja àqueles que se apegam a dogmas e entendem sua denominação como portadora única da suposta representação do divino; seja por se tratar de leitura leve, agradável e que apresenta aspectos interessantes dessas religiões dificilmente comentados para públicos mais amplos. A obra é fruto do diálogo entre os jornalistas e escritores Heródoto Barbeiro, iniciado no budismo aos 22 anos e que como monge leigo adotou o nome de Gento Ryotetsu, e Frei Betto, o frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, ligado à corrente da Teologia da Libertação da Igreja Católica. Para …

Simples assim....

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Da Comunicação Social à Midialogia

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Há alguns dias participei de debate numa turma de formandos do curso de Psicologia da Faculdade Social da Bahia. O convite partiu da professora Monica Coutinho, a quem sou grato pela oportunidade. O tema foi "O discurso do ódio na mídia". Para mim, um momento bastante produtivo e de aprendizado. Mas um fato me chamou atenção: o interesse daquele(a)s futuro(a)s psicólogo(a)s acerca do comportamento da mídia, inclusas as suas diversas modalidades de narrativas. O evento só reforçou minha tese de que, do ponto de vista da formação, urge atualizar os currículos dos cursos de Comunicação. O advento da Internet está redesenhando o modelo da economia política da mídia, sobretudo nos seus planos de negócios. É hora de se repensar as grades curriculares ofertadas aos futuros comunicólogos. Áreas de conhecimento como a Psicologia Social, Etnografia digital - Netnografia -, Sociologia Digital e o incremento de conteúdos e ferramentas relativos à atuação nas redes sociais, hoje devem c…

Nem sempre a lua vai sorrir

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Já passava das 13h30. O domingo corria conforme desenhado. Depois de castigar a sola do tênis por seis quilômetros numa corrida prazerosa e encarar um self service daqueles que o sujeito sai cheirando a comida, o script de Marcos deveria ser levado a cabo. O quarto, as revistas não lidas, o livro marcado inconcluso. O Bahia que jogaria às 18h. Tudo pronto a ser devorado. Domingo resolvido. Esparramar na cama e fazer o que gosta. Coisas de cinquentão. Antes, ele alcançou o celular que convidava a uma última olhada. Havia ditado a si próprio o detox digital desde às 9h, quando acordou. Necessário. A overciber da semana reiniciaria no dia seguinte. Um último toque num app de relacionamento, espécie de aplicativo bumerangue que já frequentava seu aparelho num jogo de downloads intermitente, conforme o momento existencial e emocional. Se a loja fosse multá-lo pelas inúmeras vezes que apagara e voltara com a conta era certeza de falência. Um, dois, três, quatro... no quinto deslizar, um mat…

Ponto de inclinação

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O 15 de março de 2017 está se configurando como forte marco na disputa da narrativa política no Brasil. Mais de um milhão de pessoas ocuparam as ruas das capitais e de diversas cidades do país em protesto contra a proposta de Reforma da Previdência. A reboque, outros itens ampliaram a pauta das mobilizações.  É perceptível o ponto de inflexão. O tema configurou o que chamaria de uma agenda-setting às avessas, que saltou das redes para as ruas. No tema Previdência, a batalha pela opinião pública está sendo perdida pelo jornalismo corporativo.  Aos fatos. Minhas análises ainda estão em curso no que confere aos influenciadores nas redes (players individuais e coletivos), mas algumas pistas já se apresentam. A organização das manifestações de 15/03 não teve espaço na mídia corporativa nas edições da semana que precedeu a mobilização. Pelo contrário, a pauta monocórdia nos principais órgãos da imprensa hegemônica foi na direção contra-narrativa à convocatória. O depoimento de Lula à Justi…

Daniel Blake é a representação do drama de milhões de pessoas

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Após sofrer enfarte, um homem quase sexagenário tenta desesperadamente conseguir o benefício do governo inglês porque está impedido de trabalhar. O carpinteiro viúvo Daniel Blake é um número a mais no registro da pesada burocracia do Estado. Luta contra os micropoderes constituídos para provar o óbvio. O desafio é adentrar na labiríntica máquina estatal que terceiriza à iniciativa privada o poder de decidir sobre a sobrevivência de seres humanos. No decorrer da sua jornada inglória, Blake conhece Katie, desempregada de 35 anos e mãe de Dylan e Dayse. Ela busca desesperadamente uma alternativa à sobrevivência com seus filhos. Prestes a irem para um albergue de desabrigados em Londres, a família opta por residir num alojamento a 480 quilômetros da capital. O carpinteiro os socorre e oferece apoio enquanto gasta as parcas economias para quitar as contas que se acumulam. Dores e dramas se juntam. Na trilha kafkaniana que percorre, Blake se depara com sua inabilidade em procedimentos que exig…