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Mostrando postagens de 2013

Luta pela neutralidade da Internet no Brasil é parte da ciberguerra política internacional

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Acendeu a luz laranja. Talvez a vermelha. "O governo defende a neutralidade, mantém a sua posição, mas acredito que é possível superar alguns entraves com questões redacionais". A afirmação é do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que acompanha pelo governo a tramitação do PL 2126/11, que dispõe sobre o Marco Civil da Internet. A fala de Cardozo deixa dúvidas se o Planalto resistirá, de fato, à pressão das operadoras de telefonia na legislação que determinará o funcionamento da web no Brasil. O relator do PL, Alessandro Molon (PT-RJ), manteve no texto original a neutralidade da rede. No entanto, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), tem dado declarações manifestando atender os interesses da indústria da telecom. As operadoras de telefonia se opõem ao conceito de neutralidade conforme disposto no relatório de Molon. Entendem que limita seus negócios. O conceito de neutralidade previsto no PL determina que não se pode depreciar o acesso a um site ou determinado tipo de con…

Membro da Coordenação Nacional do Movimento da População de Rua acusa Prefeitura de Salvador de praticar ação higienista

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Estima-se que em Salvador cerca de 4 mil pessoas vivem nas ruas. Cidadãos que são alvo diário de toda sorte de violências. Quem informa é Maria Lucia Santos Pereira da Silva, membro da Coordenação Nacional do Movimento da População de Rua (MNPR). Segundo ela, o déficit habitacional no Brasil é de 23 milhões de residências. Maria Lucia, que concedeu entrevista exclusiva ao blog Textos ao Vento, aproveitou para fazer a seguinte denúncia: “À época da Copa das Confederações, em junho deste ano, 600 pessoas foram retiradas das ruas de Salvador e alojadas de forma desumana no prédio onde funcionava o Hospital Ana Néri, na Lapinha. A ação foi feita por uma entidade de nome Federação Brasileira de Direitos Humanos, mas sabemos que é a Prefeitura que está por trás desta iniciativa. O Ministério Público está apurando o caso”. A conversa foi intermediada pelo jornalista e ciberativsita Antonio Nelson, que desenvolve intenso trabalho de colaboração com este canal de informação.
Textos ao Vento - …

Nádia Lapa e sua antropofagia militante

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Militância feminista por afirmação sexual e libelo existencial. Advogada, jornalista e blogueira, Nádia Lapa narra suas aventuras e desventuras sexuais e amorosas sem apelos. E também sem pudores. Cem homens em um ano não se limita à literatura erótica. É punho cerrado adocicado por gozos e sussurros que usa as mesmas armas de uma sociedade falocentrica para contrapô-la. Se for legítima a vontade de variar parceiros, que assim seja. O recado é direto. A contestação também.  Transas pra lá de gostosas, sexo mecânico e sem graça, despedidas insólitas, paixonites desconcertantes, amores não vingados, detalhes de posições e corpos, ménages, tórridas atrações fatais, que se encerram no ato, a “pegada” perfeita, alegrias e frustrações. É como se Nádia estivesse numa roda de amigas e amigos papeando. E o faz com narrativa e textos primorosos. Dirige-se a todos que queiram entender o comportamento de uma mulher madura que não se furta de viver plenamente sua sexualidade. Em tempos de ficções…
Mal filmado e mal editado. Sim. Este vídeo não é uma reportagem, nem um doc. Aqui o repórter se desnudou das suas funções e deu boas vindas aos 50 médicos e médicas cubanos que vieram para o Brasil colaborar com o Programa Mais Médicos, do Governo Federal. Essas imagens buscam passar a emoção de um momento histórico. Noite de domingo, dia 25/08/2013. Bem-vindos companheiras e companheiros de Cuba!

O mal não se explica num homem apenas, mas na decadência de uma sociedade. Hanna Arendt, o filme, é uma bela aula de filosofia

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Entender o comportamento de um ser humano comum, funcionário público correto, mas que não reflete a realidade, pensa burocraticamente e comete crimes abedecendo às leis do seu país. O filme Hannah Arendt, que tem a atriz Barbara Sukowa em magistral interpretação da filósofa alemã, conta a polêmica história que envolveu a pensadora, em 1961, quando foi cobrir o julgamento do Adolf Eichmann, em Jersulém, pela revista estadunidense The New Yorker. Eichmann, um dos arquitetos da Solução Final, fora sequestrado na Argentina pelo serviço secreto israelense, o Mossad, para ser julgado em Israel. O filme retrata uma Hanna Arendt que não se limita ao papel de simples repórter. Vai além. Se propõe pensar filosoficamente sobre a dantesca indústria da morte construída pelo nazismo. Não busca culpas individuais. Observa a engrenagem do terror atropelando valores humanos e éticos. Sua cobertura resultou numa série de cinco artigos publicados pela New Yorker, que deu origem ao livro Eichmann em Jer…

"Os partidos políticos perderam a interlocução com a sociedade" - Entrevista: Frei Betto

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Carlos Alberto Libânio Christo, Frei Betto, ex-frade dominicano, foi preso duas vezes à época da ditadura militar. Em 1964, por 15 dias; e entre os anos 1969 e 1973. Militante de movimentos pastorais e sociais, é adepto da Teologia da Libertação, corrente política da Igreja que atuou com bastante força na América Latina nos anos 80 e 90. Frei Betto foi assessor especial do primeiro governo de Lula, entre 2003 e 2004, quando coordenou a Mobilização Social do programa Fome Zero. Escritor com 53 livros publicados, estudou Jornalismo, Filosofia, Antropologia e Teologia. Ainda que afirme que os governos Lula e Dilma “foram os melhores da história republicana do Brasil”, o escritor faz duras críticas ao atual projeto político. De passagem por Salvador, onde cumpriu agenda de trabalho, ele conversou com o blog Textos ao Vento. Falou das manifestações que varrem o Brasil, da igreja Católica, dos direitos das minorias e do coletivo Mídia Ninja. 
Zeca Peixoto – Como o senhor observa os panorama…

Libelo juvenil em cena. Eduktors retorna a Salvador em novembro

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História da campanha do NO, case da propaganda política que pôs fim a ditadura de Pinochet

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René Saavedra (Gael García Bernal) é um publiscitário descolado que vai para o trabalho de skate e adora se divertir com brinquedos infantis. Bem de vida, atua numa agência em Santiago e está às voltas com uma campanha para lançar um produto inovador, o microndas, sonho de consumo da classe média chinela. É o ano de 1988. O Chile vive sufocante ditadura do general Augusto Pinochet, um dos mais violentos ditadores do planeta e responsável por milhares de assassinatos e torturas desde que assumira o governo, em 11 de Setembro de 1973, quando derrubou o presidente socialista Salvador Allende por intermédio de um sangrento golpe militar. Pressionado pela comunidade internacional, o governo é coagido a aceitar um plebiscito para que a população decida pela continuidade ou não do regime militar. Filho de exilado político, Saavedra assumi a coordenação da campanha do “NO”, fato histórico relevante transformado em filme com pinta de case propagandístico. Dirigido por Pablo Larraín, 1h55 de d…

Quando o rock no Brasil era atitude

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Em tempos de jovens roqueiros engomadinhos e alguns antigos com atitudes reacionárias e caquéticas, assistir Somos tão jovens, de Antônio Carlos da Fontoura, é balsâmico, nostálgico e catártico. Não esperem aqui uma crítica. Não é. No máximo, um depoimento de quem viu o filme e vivenciou aqueles momentos em Brasília. Sem pretensões estéticas, tô fora. Fontoura amarra bem o roteiro que propõe. O início da trajetória do cantor e compositor Renato Russo, falecido em outubro de 1996 e interpretado por Thiago Mendonça, é a âncora que explica a sociogênese do chamado Rock Brasília. Do Aborto Elétrico à Legião Urbana e a capital federal como berço do punk tupiniquim. Entre 1976 e 1982, enquanto o regime militar, já convalescente, continuava mostrando seus dentes numa Brasília sufocada pela repressão política, jovens da classe média se reuniam para driblar o ócio. A cidade, à época, não oferecia entretenimento para rapazes e moças que afloravam hormônios e rebeldia a granel. O jeito era o it …